O Brasil deu início ao desenvolvimento de microrreatores nucleares totalmente nacionais. O projeto envolve a fabricação de microrreatores modulares de baixa potência, com geração de energia entre 1 a 5 MW, que podem ser instalados em containers, com capacidade para operar remotamente até dez anos sem reabastecimento.
O projeto contou com apoio da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e financiamento das estatais Finep e Indústrias Nucleares do Brasil e das empresas privadas Diamante e Terminus. Também participaram do projeto as universidades federais do Ceará, de Minas Gerais e Santa Catarina, além da Marinha do Brasil.
Trata-se de um projeto com tecnologia nacional, não adaptada de projetos estrangeiros, com autonomia em insumos e cadeia produtiva, inspirada nos reatores nucleares projetados para gerar energia em missões espaciais. Dessa forma, não usará água ou gás para resfriamento e condução de calores, mas canos condutores (“heat pipes“) para que o calor seja convertido em energia.
Acredita-se que os microrreatores poderão atender regiões remotas do país e até plataformas de petróleo, já que a Petrobras possui acordo com a COPPE/UFRJ para desenvolvimento dessa tecnologia para suprir a demanda por energia, hoje abastecida por turbinas a gás. Além disso, ganha o selo “carbono zero”, tão em voga atualmente. Segundo o físico Giovanni Stefani, do Departamento de Energia Nuclear da UFRJ, o desenvolvimento dessas tecnologias poderá colocar o Brasil como fornecedor de microrreatores no mercado internacional.
O custo inicial do microrreator ficaria na casa dos US$ 10 milhões, mas devendo cair uma vez comece a ser fabricado em série. Seu custo de geração de energia seria de R$ 990,00 por megawatt-hora (MWh), mais econômico que os geradores a diesel usados para abastecer pequenas comunidades na Região Norte, com custo superior a R$ 1 mil o MWh.
Quando visitou a Rússia em maio, o presidente Lula manifestou interesse em desenvolver parceria com a estatal Rosatom para adquirir pequenos reatores, conhecidos como SMR (small modular reactors), mas que funcionam de forma análoga aos reatores tradicionais, que usam água e gás para o sistema de resfriamento. Atualmente, a Rússia tem dois desses em operação e a China tem um.
Com informações da Revista Pesquisa Fapesp. Leia o artigo completo neste link.
