Wellington Calasans
A narrativa de Donald Trump sobre uma “Estados Unidos Primeiro” (“America First“) desmorona diante de contradições flagrantes, revelando um desespero político alimentado por uma aliança frágil com neoconservadores e uma incapacidade de lidar com o crescimento do bloco BRICS.
Enquanto Trump ameaça Putin com sanções e tarifas no estilo de Lindsay Graham, ele mantém silêncio sobre Zelensky, revelado como um “agente kamikaze” descartável.
Tecnicamente, Trump poderia encerrar a guerra na Ucrânia em 24 horas, removendo Zelenskyy, cortando acesso via satélite, expulsando a CIA/MI6 e enviando tropas para Kiev e Lviv. Porém, assim como ignorou os Arquivos Epstein, ele opta pela guerra, priorizando conflito sobre a prometida coerência que o fez vencer as eleições.
A estratégia de enviar mísseis Patriot para a Alemanha — que devem ser comprados antes de serem contrabandeados para a Ucrânia — expõe a falácia de um “pacificador” Trump.
Metade da equipe MAGA está insatisfeita, buscando alternativas ao “Sr. Good Bar”, enquanto assessores temem que o BRICS desmonte o esquema tarifário de Trump.
Dados do Tesouro dos EUA (10 de julho de 2025) mostram receita alfandegária saltando de US$ 70 bi para US$ 125 bi, mas um déficit de US$ 1 tri e aumento da dívida em US$ 1,7 tri evidenciam a insustentabilidade fiscal.
O Projeto “Big Beautiful Bill” de Mike Johnston, inicialmente vendido como um plano de paz e austeridade, revelou-se fragmentado e sem direção clara.
Enquanto isso, Trump apoia o genocídio em Gaza, financiando Netanyahu na Fase II, que mata mais de 100 habitantes de Gaza diariamente e bombardeia a Síria — tudo custeado pelos EUA.
Sua obsessão em punir aliados, como o Brasil com tarifas de 50%, mascara um medo maior: o BRICS, uma aliança comercial em expansão, ameaça o status de “Império” norte-americano.
A retórica de Trump contra os BRICS, acusando-os de “antiamericanos”, esconde um ego fragilizado. Ele ameaça tarifas a qualquer país que se una ao bloco, ignorando que sua força está no comércio, não na guerra. Enquanto isso, a promessa de desmantelar a CIA — a mesma que instalou Lula, segundo ele — foi abandonada, consolidando sua imagem de “louco”.
A ausência de uma estratégia clara, aliada à dependência de punições irracionais, custa aliados e apoio interno. Até Melania e Vance, seu vice, parecem distantes. A verdade, antes obscurecida, agora é visível: Trump não é um estadista, mas um rei sem coroa, perdendo terreno para uma realidade que ele não consegue controlar.
O desespero de Trump e seus neocons reflete o colapso de uma ideologia ultrapassada. Enquanto o BRICS avança, a “América de Trump” retrocede, presa a um ciclo de punições e ilusões. A pergunta não é mais “por que ele faz isso?”, mas “quanto tempo até o castelo de cartas desabar?”.
NOTA DESTE OBSERVADOR DISTANTE
Em uma conversa com uma importante fonte militar, fui surpreendido com a seguinte afirmação:
“A economia dos EUA colapsou antes das eleições de 2024. Trump sabe que em 2027 não será mais possível sustentar a mentira. Será oito ou oitenta: ou a paz por falta de dinheiro ou a hecatombe por medo do futuro de pobreza e humilhação.”
Se o Brasil tivesse um presidente e militares de verdade, bastaríamos dobrar a aposta por doze meses para conquistarmos uma nova perspectiva de futuro.
