Eduardo Berdejo
A violência contínua que assola a Terra Santa, especialmente agora com a guerra em Gaza, foi abordada pelo Patriarca Latino de Jerusalém, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, na homilia que proferiu durante a Solenidade da Assunção de Maria.
Como parte de seu trabalho, o cardeal Pizzaballa não cuida apenas dos católicos de Israel, mas também daqueles que habitam os territórios palestinos de Gaza e da Cisjordânia. Isso lhe permitiu conhecer em primeira mão as consequências da violência, especialmente aquela que nos últimos dois anos atinge a Faixa de Gaza e que requer palavras verdadeiras de paz e não discursos “adocicados e abstratos”.
Do Mosteiro Beneditino de Abu Gosh (Israel), o cardeal afirmou que, embora todos desejem o fim do conflito, seu término não marcará “o fim das hostilidades e da dor que elas causarão”, pois o desejo de vingança permanecerá e “teremos que lidar com as consequências causadas por esta guerra na vida das pessoas”.
Nesse sentido, o cardeal lembrou em sua homilia a importância da Terra Santa para os cristãos e para a humanidade, por ser a região onde Maria disse sim à vontade de Deus e onde Cristo nasceu. Além de ser o lugar onde o Senhor derrotou o pecado com sua Ressurreição.
“Parece realmente que esta nossa Terra Santa, que guarda a mais alta revelação e manifestação de Deus, é também o lugar da mais alta manifestação do poder de Satanás. E talvez precisamente por essa mesma razão, por ser o lugar que guarda o coração da história da salvação, que se tornou também o lugar onde ‘o Antigo Adversário’ tenta impor-se mais do que em qualquer outro lugar”, indicou.
O patriarca latino de Jerusalém disse essas palavras ao refletir sobre a passagem do Apocalipse que menciona o enorme dragão com sete cabeças e dez diademas, que “é uma representação muito clara do poder do mal no mundo, de Satanás”.
“Impressiona-me que dessa passagem se deduza claramente que o dragão, Satanás, nunca deixará de se afirmar e devastar o mundo, em particular ‘contra aqueles que guardam os mandamentos de Deus e mantêm o testemunho de Jesus’”, indicou.
Isso, explicou ele, leva os cristãos a terem consciência de que “o poder do mal continuará presente na vida do mundo e na nossa”, mas isso não significa resignação, pois a Solenidade da Assunção “também nos diz que existe alguém diante de quem esse mal é impotente”.
“O poder do dragão não pode prevalecer diante de um nascimento, diante de uma mãe que dá à luz, que gera vida. Sobre a semente da vida, fruto do amor, o dragão não pode prevalecer”, assegurou.
Nesse sentido, o patriarca latino de Jerusalém destacou que a Igreja é chamada a “plantar uma semente de vida no mundo”. “O mal continuará se manifestando, mas nós seremos o lugar, a presença que o dragão não pode vencer: uma semente de vida”, afirmou.
O cardeal Pierbattista Pizzaballa destacou que, embora “saibamos que, mais cedo ou mais tarde, o dragão será derrotado”, hoje os cristãos são chamados a perseverar, “conscientes de que o dragão continuará devastando a história”.
No entanto, ele assegurou que “o sangue causado por todo esse mal” em qualquer parte do mundo “flui sob o altar, misturado com o sangue do Cordeiro, participante também na obra de redenção à qual estamos associados”.
“A Assunção da Virgem Maria, que estamos celebrando, sua plena participação, em corpo e alma, na vitória de Cristo, é também um antegozo do nosso destino como filhos de Deus, batizados e redimidos pelo sangue de Cristo”, afirmou.
Finalmente, expressou: “Ao nos levantarmos hoje da mesa eucarística, levamos conosco a certeza da vitória de Cristo sobre a morte, a convicção de que nossa vida, por mais perturbada que esteja pelos dramáticos acontecimentos de hoje, é, no entanto, o lugar onde o dragão não prevalecerá, porque é uma vida banhada no sangue do Cordeiro, no amor infinito de Deus”.
