Santiago Carranza-Vélez
A Open Society Foundations (OSF), rede fundada por George Soros, anunciou nesta quarta-feira uma nova ofensiva na América Latina com um programa chamado “Bem Viver”, que será implementado durante oito anos em países como Brasil, México e Colômbia, com ramificações no Chile e na Guatemala. Sob o pretexto de atender às “populações marginalizadas”, o projeto reforça a interferência de Soros na política regional, com um claro viés progressista e identitário.
A iniciativa, apresentada pelo próprio filho do magnata, Alex Soros, busca financiar organizações da chamada “sociedade civil” e estabelecer alianças diretas com governos para elaborar políticas públicas. Entre suas prioridades, de acordo com o comunicado oficial, estão a justiça racial e de gênero, a promoção de economias verdes e inclusivas, o empoderamento de mulheres negras, indígenas e coletivos LGBTI, bem como o incentivo a expressões culturais que reforcem os “valores democráticos”.
Nas palavras do filho de Soros, “diante das mudanças no equilíbrio global de poder e com os sistemas comerciais virados de cabeça para baixo, a ação coletiva nunca foi tão importante”. Uma declaração que revela o pano de fundo político da estratégia: usar as tensões globais para consolidar o poder das redes progressistas transnacionais no continente.
O plano se inspira no conceito de “bem viver”, uma noção de origem indígena que defende a harmonia entre a comunidade e a natureza. No entanto, a OSF o transforma em um instrumento para promover a agenda cultural da esquerda globalista: identitarismo, ecologia radical e a redefinição do papel do Estado de acordo com parâmetros ditados por ONGs internacionais.
O vice-presidente de programas da OSF, Pedro Abramovay*, foi ainda mais claro: o objetivo é “restaurar a democracia como algo mais do que um sistema político”. Ou seja, reconfigurá-la de acordo com as categorias da esquerda pós-moderna, onde gênero, raça e identidade substituem a soberania nacional como pilares da legitimidade.
Os recursos para este plano são milionários, embora a OSF evite dar números concretos. Basta lembrar que, em 2023, a fundação destinou mais de 104 milhões de dólares à Ibero América e ao Caribe, o que representa 6% do seu orçamento global. Com escritórios no Rio de Janeiro, Bogotá e Cidade do México, Soros financia há décadas movimentos progressistas, partidos de esquerda e campanhas de pressão sobre governos.
O plano Bem Viver é, em definitiva, a nova face do antigo projeto de Soros na América Latina: financiar o progressismo local, colonizar os marcos culturais e alinhar as políticas públicas com o globalismo.
* Pedro Abramovay, atual diretor da OSF para a América Latina, foi Secretário Nacional de Justiça durante o Governo Lula 2, de onde saiu para ocupar o posto de diretor do site de petições Avaaz, entre 2012 e 2013.
