Lorenzo Carrasco
Nos últimos dias, os jornalões brasileiros, com destaque para o “Globo” e o “Estadão”, têm publicado editoriais apopléticos sobre os questionamentos à independência do Banco Central, reforçados por críticas ao embate de Donald Trump com o Sistema da Reserva Federal, o banco central semiprivado dos EUA.
A independência do BC, incessantemente proclamada como sacrossanta, é na verdade um tanto seletiva, vide o favorecimento conferido aos poderosos Itaú Unibanco e BTG Pactual, notório na própria Faria Lima.
A questão central é que o domínio do BC e da política monetária constitui um dos pilares do poder político e econômico no país, protegido pelo falacioso discurso de que é preciso “proteger” o banco de influências políticas. Trocando em miúdos, para os donos do poder, o BC deve fazer políticas de interesse do sistema financeiro, e não políticas de Estado.
Nos EUA, a Reserva Federal ainda tem uma atribuição que o BC brasileiro não tem, a de perseguir o pleno emprego, apesar de estar abandonada há décadas, daí a histeria de Wall Street – e da Faria Lima – com a investida de Trump, que pretende reduzir o custo da dívida pública do governo dos EUA e recuperar a sua capacidade creditícia. Não por acaso, o presidente Franklin Roosevelt (1933-1945) qualificava de banksters (bankers + gangsters) os tubarões de Wall Street.
Voltando às redações brasileiras e aos banksters da Faria Lima, o recado é direto: não podemos permitir que esse sistema de poder e privilégios seja contestado.
