Wellington Calasans
A cena política brasileira mergulhou em um abismo de deslealdade nacional, onde tanto situação quanto oposição parecem competir para ver quem mais contribui para a desintegração do tecido social brasileiro.
Enquanto isso, o tão propagado “acordo histórico” entre Mercosul e União Europeia emerge como a pá de cal na já definhante indústria latino-americana, com projeções alarmantes indicando que “Somente no Brasil, o PIB poderá cair 9%. A América Latina poderá ficar atrasada por décadas e milhões de pessoas cairão na pobreza extrema.”
É irônico que enquanto nossos representantes políticos assinem acordos que ameaçam nossa soberania industrial, assistimos impávidos à importação descarada de símbolos estrangeiros que substituem nossa identidade nacional. Lula, símbolo máximo do entreguismo engravatado, celebra o que o grande brasileiro Samuel Pinheiro Guimarães chamava de “Acordo Caracu”.
A presença da NFL em solo brasileiro, com sua cerimônia obrigatória do hino estadunidense, deveria gerar reflexão sobre nossa crescente submissão cultural, mas a realidade é ainda mais perturbadora: “enquanto nossa bandeira é a brasileira, a dos bolsonaristas é estadunidense. Traidores da Pátria e de todos” .
A hipocrisia atinge níveis inaceitáveis quando políticos que se dizem nacionalistas não hesitam em adotar a estética e os símbolos do império que historicamente explorou nossa região.
Enquanto isso, o acordo Mercosul-UE (o Acordo Caracu), que deveria ser objeto de intenso debate nacional, foi negociado nas sombras por elites políticas que priorizam interesses corporativos internacionais em detrimento do desenvolvimento autônomo da América Latina .
É revoltante constatar que, em pleno século XXI, nossa classe política não consegue enxergar além de seus interesses imediatistas, enquanto assistimos à execução do hino dos Estados Unidos, tradição nos jogos da NFL.
O sinal de desconexão entre políticos e sociedade estava nas necessárias vaias por parte do público presente naquele vexame de São Paulo, estado governado pelo “tarado do martelo”. Aquele grito popular – que os representantes políticos parecem teimosamente ignorar em suas relações internacionais – é a semente da resistência.
A verdadeira tragédia não está apenas na assinatura de acordos desiguais, mas na completa ausência de uma discussão séria sobre soberania nacional e projeto de desenvolvimento autônomo.
Enquanto isso, continuamos a importar não apenas produtos, mas ideologias e símbolos que minam nossa identidade, enquanto nossa classe política, dividida entre situações e oposições artificiais, permanece incapaz de construir um projeto nacional coeso que resgate nossa dignidade e autonomia.
O 8 de Setembro é, por tudo isso, o Dia da Ressaca Moral.
