Lorenzo Carrasco
Em um evento público no Rio de Janeiro, na semana passada, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, surpreendeu os presentes ao afirmar que o agravamento do cenário global poderá levar o Brasil a precisar recorrer à tecnologia nuclear para fins de defesa.
“Um país que é gigante pela própria natureza, que tem 11% da água doce do planeta, que tem clima tropical, solo fértil e tantas riquezas minerais, é importante que a gente continue e leve muito a sério a questão nuclear no Brasil, porque, no futuro, nós vamos precisar da nuclear também para a defesa nacional”, disse ele.
Para ele, será preciso que o Congresso Nacional reveja a interdição constitucional que restringe o uso das tecnologias nucleares para fins pacíficos.
Esse tema, que nunca desapareceu entre círculos nacionalistas, ressurge com certa ênfase em ocasiões em que o Brasil é alvo de pressões externas por parte de potências estrangeiras, como hoje, que evocam preocupações com a soberania nacional. No caso, reforçado por uma percepção crescente sobre a fragilidade das Forças Armadas, prejudicadas por limitações orçamentárias e tecnológicas, perda e desmotivação de pessoal e outros problemas.
Entretanto, a menção às armas nucleares implica em uma visão estritamente militar e inadequada para o enfrentamento de ameaças reais e imediatas à soberania nacional, para as quais a resposta não é de natureza militar, mas remete à própria concepção de Nação e à ausência de um projeto político voltado para o pleno desenvolvimento dos seus vastos potenciais. Refiro-me ao controle exercido pelas grandes facções do crime organizado sobre grandes áreas do território nacional, principalmente nas capitais e na Amazônia Legal, e ao poder de interdição literal dos usos físico do território e seus recursos naturais, “terceirizado” ao aparato internacional de ONGs ambientalistas-indigenistas e seus prepostos no aparelho do Estado, encastelados em órgãos como o Ibama, o ICMBio e a Funai.
Os problemas das Forças Armadas se inserem no mesmo contexto da falta de um projeto nacional de desenvolvimento, que inclua uma dotação orçamentária sólida e permanente para elas, sem a necessidade de disputar com outras prioridades nacionais – educação, saúde, infraestrutura etc. – fatias do orçamento federal que sobram após o serviço da dívida pública.
Mas as limitações da soberania resultantes do empoderamento de tecnocratas ideológicos a pretexto da “proteção” ambiental e dos povos indígenas e das dificuldades de combate ao poderio da criminalidade, podem e precisam ser enfrentadas de imediato. E contra elas o país não precisa de armas nucleares.
