Wellington Calasans
A ambição expansionista de Israel, enraizada em uma visão messiânica que busca uma “Grande Israel” além das fronteiras historicamente reconhecidas, revela-se como um projeto imperialista anacrônico, cuja lógica ignora deliberadamente a existência e os direitos do povo palestino.
Essa ideologia, alimentada por um revisionismo sionista que romantiza a ocupação territorial, não apenas perpetua uma narrativa de superioridade étnica, mas também reproduz padrões coloniais já condenados pela história mundial.
Ao tratar os palestinos como meros obstáculos a serem removidos, em vez de uma nação com direito à autodeterminação, tal projeto expõe sua natureza profundamente desumana, que se alinha a regimes opressores do passado, cujo legado é marcado por violência sistemática e exclusão.
A recusa em reconhecer a legitimidade da resistência palestina transforma cada nova anexação em um ato de agressão premeditado, cuja justificativa se esgota na arrogância de quem acredita que a força pode suplantar o direito.
A analogia com Esparta, frequentemente ignorada pelos defensores incondicionais de Israel, ilumina a fragilidade estrutural de um estado que sustenta sua existência sobre a subjugação permanente de outro povo.
Assim como os hilotas eram mantidos em servidão para sustentar a máquina bélica espartana, os palestinos são confinados a guetos sob constante ameaça militar, enquanto seus recursos são expropriados e sua dignidade negada.
Essa dinâmica não apenas gera um ciclo interminável de violência, mas também corrompe a própria sociedade israelense, transformando-a em uma entidade paranoica, cuja segurança depende da perpetuação do medo e da hostilidade.
Longe de garantir estabilidade, essa postura expansionista acelera o isolamento internacional de Israel, à medida que a comunidade global desperta para a hipocrisia de um regime que se apresenta como democracia enquanto pratica políticas de apartheid e limpeza étnica.
Do ponto de vista prático, a obsessão por uma “Grande Israel” é economicamente insustentável e demograficamente suicida. Não demora para que uma “Nova Tebas” seja revelada, há quem suspeite do Irã como o algoz da “Nova Esparta”.
Manter um estado em permanente estado de guerra consome recursos que poderiam ser direcionados para educação, saúde e infraestrutura, enquanto a necessidade de controlar milhões de palestinos resistentes exige um aparato repressivo que corrói as instituições internas.
Além disso, a expansão territorial não resolve, mas agrava o dilema demográfico: como governar uma população majoritariamente não judaica sem negar-lhe direitos fundamentais, o que transformaria Israel em um regime abertamente racista?
A resposta histórica — a intensificação da opressão — só alimenta a resistência, criando um círculo vicioso onde cada nova medida expansionista espalha as sementes de seu próprio colapso, tal como ocorreu com impérios que confundiram poderio militar com legitimidade histórica.
A cumplicidade internacional, especialmente dos Estados Unidos, em apoiar incondicionalmente esses planos expansionistas expõe a hipocrisia das potências que se autoproclamam guardiãs da ordem global.
Ao fornecer armas, proteção diplomática e financiamento, esses aliados tornam-se cúmplices diretos de crimes de guerra, desde o bloqueio de Gaza até a destruição sistemática de infraestruturas civis.
Essa parceria não apenas viola tratados internacionais, mas também mina a credibilidade das instituições globais, reduzindo-as a meros instrumentos de interesses geopolíticos.
Enquanto “líderes” (modo de dizer) como Netanyahu são recebidos com tapetes vermelhos em capitais ocidentais, crianças palestinas morrem de fome e bombardeios — um contraste que desnuda a face cínica de uma política externa que prioriza alianças estratégicas sobre princípios éticos básicos.

Por fim, a história condenará severamente aqueles que escolheram fechar os olhos para o genocídio em curso. Nenhum projeto baseado na negação da humanidade alheia pode sobreviver à pressão da consciência global, especialmente em uma era onde imagens de sofrimento são transmitidas em tempo real para todos os cantos do mundo.
A resistência palestina, longe de ser um obstáculo a ser eliminado, é um testemunho da resiliência daqueles que lutam por liberdade em terras que jamais deixaram de ser suas.
A paz verdadeira só será possível quando Israel abandonar sua fantasia expansionista e reconhecer que a segurança não se constrói sobre a opressão, mas sobre o respeito mútuo.
Até lá, seu caminho seguirá sendo o de Esparta: glorioso por um instante, mas condenado à ruína pela própria arrogância. Tebas está à espreita.
