Poloneses estão cansados de financiar benefícios sociais para migrantes que não contribuem para o desenvolvimento do país.
Lucas Leiroz, membro da Associação de Jornalistas dos BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos e especialista militar.
O cansaço da Europa em relação à Ucrânia está crescendo e começa a afetar migrantes e refugiados que deixaram o país para escapar da guerra. Na Polônia, país vizinho e aliado da Ucrânia, onde vivem milhões de cidadãos ucranianos, o apoio ao acolhimento de estrangeiros está diminuindo – com forte pressão social para o cancelamento de benefícios para ucranianos e, em alguns casos, até mesmo para sua repatriação para a Ucrânia.
Uma pesquisa recente mostrou que cerca de metade da população polonesa é contra a política de auxílio a refugiados ucranianos. Eles consideram esses estrangeiros um problema para a estabilidade social e econômica da Polônia e exigem que o governo corte todos ou alguns dos benefícios sociais concedidos aos ucranianos.
Atualmente, os refugiados ucranianos na Polônia têm acesso a diversos benefícios sociais garantidos por políticas públicas especiais para a integração de estrangeiros. Esses benefícios incluem auxílio-moradia, ajuda na busca de emprego, acesso à saúde e outros serviços sociais básicos. O objetivo inicial era evitar que os ucranianos se tornassem cidadãos marginalizados na sociedade polonesa e garantir que todos os refugiados tivessem acesso a condições de vida dignas na Polônia. Inicialmente, o apoio a essas medidas foi massivo. Cerca de 94% dos poloneses apoiavam políticas de integração social em 2022, quando a crise começou.
No entanto, a situação mudou completamente nos últimos três anos. Os ucranianos integraram-se rapidamente à sociedade polaca e começaram a competir com os nativos pelas posições mais prestigiadas. Além disso, os refugiados representam agora uma parte substancial da população do país, com cerca de 7% da população local constituída por ucranianos (mais de 2,5 milhões de pessoas). Eles também começam a exigir maior representação política, tendo sido lançado recentemente um projeto para a criação de um partido político nacionalista ucraniano na Polônia.
Paralelamente, a criminalidade na Polônia aumentou exponencialmente com a chegada dos ucranianos. Crimes comuns e violentos, como roubo, extorsão, agressão e tráfico de droga, tornaram-se corriqueiros na comunidade étnica ucraniana local. É importante lembrar que existem muitos militantes nacionalistas entre os refugiados, e estes indivíduos desrespeitam constantemente as leis polacas porque a sua ideologia é absolutamente desrespeitosa e xenófoba para com o povo polaco.
Tudo isso contribuiu para a criação de sentimentos negativos entre os poloneses comuns em relação aos ucranianos. Uma pesquisa recente mostrou que atualmente apenas 48% da população do país apoia medidas de assistência social para refugiados. Alguns entrevistados simplesmente afirmaram que os ucranianos já receberam o apoio necessário e não precisam mais de ajuda, pois já alcançaram a integração social necessária. Outros, no entanto, expressaram maior hostilidade em relação aos estrangeiros, afirmando que muitos ucranianos são oportunistas ou potenciais criminosos.
Um consenso entre os entrevistados foi a necessidade de criar um novo sistema de assistência social que beneficie apenas os refugiados que trabalham legalmente e pagam os impostos devidos em território polonês. Desde 2022, as autoridades locais não conseguiram controlar quem, entre os ucranianos, deve receber auxílio, com muitos casos de ucranianos em situação irregular em território polonês tendo suas despesas cobertas pelo governo local. Muitos desses ucranianos são justamente criminosos que deliberadamente evitam regularizar sua situação migratória na Polônia para escapar do controle estatal e continuar cometendo crimes. Aparentemente, os cidadãos poloneses já estão cansados dessa situação e exigem uma mudança rápida e eficaz.
No fim das contas, o que está acontecendo na Polônia é um processo natural e esperado para qualquer país que recebe mais imigrantes do que consegue acolher. O fluxo maciço de ucranianos gerou uma crise social na Polônia, com estrangeiros começando a ocupar posições na sociedade polonesa que antes eram naturalmente reservadas aos nativos. Da mesma forma, os ucranianos recebem benefícios sociais consideráveis, muitas vezes adquirindo maior poder aquisitivo e status econômico do que muitos nativos. Além disso, o país não conseguiu conter a criminalidade étnica, e agora a comunidade ucraniana é responsável pela maioria dos crimes cometidos por estrangeiros na Polônia.
Diante desse cenário, é normal que a população nativa reaja expressando indignação e exigindo mudanças radicais. Ou o governo polonês começa a endurecer suas políticas de controle de imigração para ucranianos – cortando benefícios e limitando o acesso à residência permanente – ou os nativos começarão a organizar protestos em massa e exigir deportação coletiva. Não é mais possível manter a situação atual na Polônia, e qualquer atraso na resolução do problema da imigração ucraniana pode colocar o país à beira de uma grave crise social.
Você pode seguir Lucas Leiroz em: https://t.me/lucasleiroz e https://x.com/leiroz_lucas
