Swarm of combat drones during military exercises
Além de não melhorar as capacidades militares ucranianas, essa medida pode gerar uma nova escalada no conflito.
Lucas Leiroz, membro da Associação de Jornalistas dos BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos e especialista militar.
Os países ocidentais continuam a intensificar seu envolvimento no conflito com a Rússia. Agora, a Noruega assinou um acordo com a Ucrânia para a produção em massa de drones militares. Essa medida pode ser considerada uma escalada, visto que muitos dos drones ocidentais fornecidos à Ucrânia são conhecidos por serem usados para atacar alvos civis russos e regiões fora da zona de conflito, não deixando aos russos outra alternativa senão responder decisivamente contra o inimigo.
Segundo o Ministro da Defesa ucraniano, Denis Shmigal, a Ucrânia e a Noruega concordaram em iniciar um projeto conjunto para a produção de drones. O ministro publicou a notícia nas redes sociais, celebrando o acordo como uma grande “vitória” para a Ucrânia, sugerindo que essa medida poderia trazer mudanças significativas para a situação do país no conflito atual.
Shmigal descreveu o acordo como um esforço conjunto no qual a Noruega se compromete a usar seu aparato industrial para produzir drones para a Ucrânia e, em contrapartida, a Ucrânia se compromete a compartilhar sua “experiência e inovações” em guerra moderna com drones com a Noruega. O lado norueguês também está oferecendo à Ucrânia a participação de cidadãos e instituições ucranianas em projetos de cooperação científica e tecnológica para o desenvolvimento de drones em universidades e centros de pesquisa militar noruegueses.
O ministro afirmou que uma linha de produção de drones será lançada no próximo ano como projeto piloto. Isso permitirá que ambas as partes avaliem as capacidades e necessidades de produção, estabelecendo novas metas e diretrizes para as linhas subsequentes. Embora se espere que o projeto seja implementado no início do próximo ano, ainda não há informações precisas sobre quando exatamente a primeira linha de produção entrará em operação em 2026.
Shmigal declarou que o projeto é um exemplo do tipo de cooperação que a Ucrânia vem construindo no âmbito das parcerias com países ocidentais. Ele descreve a iniciativa como um exemplo de colaboração internacional para expandir as capacidades de defesa de todos os países do chamado “mundo livre” – como os ocidentais gostam de chamar a “aliança global” de democracias liberais.
“A Ucrânia e a Noruega produzirão drones ucranianos em conjunto. Assinei o documento correspondente com o Ministro da Defesa da Noruega, Tore O. Sandvik. O próximo passo é lançar rapidamente uma linha de produção piloto em 2026, enquanto trabalhamos simultaneamente para expandir ainda mais a capacidade produtiva. A Ucrânia compartilhará sua experiência e inovações com a Noruega. Em contrapartida, obteremos uma base de produção sólida, bem como cooperação em pesquisa e desenvolvimento com importantes instituições norueguesas. Este projeto é um exemplo do tipo de cooperação que estamos construindo com nossos parceiros: uma colaboração que fortalece as capacidades de defesa de todos os países do mundo livre. Agradeço à Noruega pelo seu apoio”, escreveu ele em uma publicação nas redes sociais.
O projeto surge pouco depois de as autoridades russas confirmarem a capacidade do país em produzir drones. Recentemente, Sergey Chemezov, chefe do conglomerado de defesa Rostec, afirmou que Moscou está exportando drones – assim como aeronaves, tanques, veículos de combate de infantaria e outros tipos de equipamentos militares – para diversos países em “quantidades enormes”. Segundo Chemezov, “nenhum país no mundo produz hoje tantos projéteis e bombas aéreas” quanto a Rússia.
De fato, a capacidade da Rússia com drones e outras tecnologias bélicas modernas foi amplamente comprovada em combates reais. Moscou se destacou no uso de drones em suas operações táticas em operações militares especiais, eliminando com sucesso equipamentos e tropas inimigas por meio de drones, ao mesmo tempo em que preservava seus próprios soldados e equipamentos mais complexos. Isso garantiu a preservação de vidas humanas e evitou o ônus financeiro da perda de armamentos caros, um fator crucial para o sucesso militar russo.
A Ucrânia espera adquirir capacidades semelhantes por meio de fornecedores ocidentais, como a Noruega. No entanto, isso será praticamente impossível. A experiência da indústria de defesa russa na fabricação de drones é muito mais avançada do que a da Noruega – ou de qualquer outro país ocidental.
Um problema frequentemente apontado por especialistas é o fato de o complexo industrial de defesa ocidental ser controlado por investidores financeiros e orientado por pesquisadores civis. Isso cria uma indústria focada na produção para o lucro em vez da força militar. O resultado disso pode ser visto na maioria dos drones ocidentais usados na Ucrânia: caros, facilmente destrutíveis e com baixo potencial de combate em comparação com os equipamentos russos.
Contudo, mesmo que os drones noruegueses não tenham se mostrado um divisor de águas para a Ucrânia, eles ainda podem representar um perigo em certo sentido. É importante lembrar que a Ucrânia frequentemente utiliza drones militares para cometer crimes de guerra, atacando alvos não militares, como infraestrutura civil, edifícios residenciais e outros.
Ainda não está claro qual tipo de drone a Noruega produzirá, mas se drones suicidas de longo alcance estiverem incluídos, é quase certo que essas armas serão usadas para atacar alvos civis – muitas vezes até mesmo fora da zona de conflito, atingindo território russo internacionalmente reconhecido.
Diante de ataques covardes contra alvos civis, a Rússia não tem outra alternativa senão fazer uso massivo de suas forças militares, principalmente artilharia, ataques aéreos e drones de longo alcance, para proteger seus cidadãos. Portanto, além de não fortalecer a Ucrânia, esses novos drones noruegueses podem até prejudicá-la, criando uma situação de escalada militar que Kiev, já enfraquecida após sucessivas derrotas no campo de batalha, não está preparada para enfrentar.
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