Donald Trump subiu o tom das ameaças à Venezuela e disse quer retomar todo o petróleo e os direitos sobre ele que teriam sido tomados ilegalmente. “Eles levaram todo o nosso petróleo, tomaram-no ilegalmente… queremos recuperá-lo. Tínhamos muito petróleo lá. Expulsaram as nossas empresas”. A declaração foi dada no dia 17 de dezembro.
Segundo a Forbes, é provável que Trump esteja se referindo à nacionalização de projetos petrolíferos por empresas estrangeiras na Venezuela realizada pelo então presidente Hugo Chávez, em 2007. O que incluiu investimentos da empresa Conoco Phillips que teriam sido expropriados sem compensação financeira. A empresa teria recorrido à arbitragem internacional, que concedeu em janeiro de 2025 uma decisão favorável no total de US$ 8,7 bilhões acrescida de juros.
A Secretaria do Tesouro dos Estados Unidos autorizou a empresa a tomar medidas coercitivas compensatórias em todo o mundo, incluindo a apreensão de ativos venezuelanos mantidos no exterior. Alguns ativos foram alvo de medidas ao longo dos anos, mas a recuperação total continua difícil.
O processo de nacionalização da indústria do petróleo na Venezuela consolidou-se em 1975, quando o presidente Carlos Andrés Perez anunciou a criação da estatal Petroleos de Venezuela (PDVSA), nacionalizando a produção de petróleo no país que era um dos principais fornecedores dos EUA. Empresas estadunidenses como a Exxon, Mobil e Gulf Oil foram indenizadas.
O presidente dos EUA anunciou um bloqueio naval de todos os navios petroleiros ao redor das águas venezuelanas, com base nesse alegado “roubo” de petróleo, que serviriam para financiar atividades criminosas, como o tráfico de drogas, que prejudicam os EUA.
No Congresso dos EUA, a Câmara dos Deputados rejeitou uma proposta, por pequena margem, feita pela oposição, de limitar as ações hostis das forças do país dirigidas à Venezuela, enquanto que a Universidade de Connecticut anunciou uma pesquisa de opinião que mostra que apenas 25% dos cidadãos apoiariam uma ação militar contra os bolivarianos, com 63% contrários.
Do outro lado do mundo, a Rússia, por meio do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a Venezuela é “aliada e parceira” de seu país e que o presidente Putin está em contato com Nicolás Maduro, prestando-lhe apoio. Petroleiros russos passam pelas águas que supostamente estariam bloqueadas pela marinha dos EUA, sendo que não há registro de nenhuma ação hostil em relação a essas embarcações russas até agora.
Há de se dar um contexto geopolítico para essas ações: os EUA negociam a retirada do apoio à Ucrânia, forçando-a a aceitar os termos impostos pela Rússia, no que engloba as concessões territoriais a esta na Crimeia e no Donbass. Ao mesmo tempo, de acordo com seu documento de estratégia nacional recentemente publicado, procura se responsabilizar menos pela defesa da Europa e gastos na OTAN, voltando-se mais para o “Hemisfério Ocidental”, i.e., o continente americano como sua área de primazia militar, política e econômica. O que vem sendo chamado de “Corolário Trump” à Doutrina Monroe.
Ou seja, o apoio militar e econômico dado pela Rússia ao regime bolivariano é algo que o incomoda muito – uma pedra no meio da trilha estratégica que traçou para si.
