Aristocracia nacional-industrialista vs oligarquia financista de Wall Street
Lorenzo Carrasco
A nova Estratégia de Segurança Nacional (ESN) dos EUA representa uma ruptura em várias frentes com as edições anteriores do documento doutrinário, refletindo a intenção do “núcleo duro” dos apoiadores do presidente Donald Trump, de reposicionar o país no cenário global, recuperando diretrizes que o converteram na maior potência econômica do mundo, o chamado Sistema Americano de Economia Política, e afastando-o da agenda “globalista” favorecida pelos seus antecessores.
Entre elas, a economia merece destaque, com o um conceito de segurança econômica baseado em: 1 – comércio equilibrado; 2 – reindustrialização; 3 – acesso seguro a cadeias de suprimentos e materiais críticos; 4 – dominância energética (com a rejeição das “desastrosas políticas de ‘carbono zero’ e de mudanças climáticas”, além da promoção dos combustíveis fósseis e da energia nuclear); 5 – fortalecimento da base industrial de defesa; e 6 – preservação da dominância no setor financeiro.
De particular relevância é a menção ao secretário do Tesouro Alexander Hamilton, pai intelectual do Sistema Americano, que se baseia historicamente em protecionismo de indústrias nascentes/estratégicas, grandes investimentos públicos em infraestrutura e crédito orientado para atividades produtivas.
Em essência, o governo Trump está empenhado em reverter a desindustrialização estadunidense, promovendo o que bem pode ser chamado “nacional-industrialismo estratégico”. Impulso que provém de um grupo de empresários e investidores reunidos em torno do vice-presidente J.D. Vance e liderados por Chris Buskirk, fundador da chamada Rockbridge Network, que ambiciona recolocar e consolidar uma “aristocracia produtiva” no comando do país. Em suas palavras: “Ou você tem uma elite extrativa – uma oligarquia – ou você tem uma elite produtiva – uma aristocracia – em cada sociedade.”
Esses são conceitos que fariam bem que sejam devidamente estudados pelos demais países do Hemisfério Ocidental, Brasil inclusive, para adaptações e empregos próprios, permitindo-lhes um posicionamento não maniqueísta frente ao que a ESN qualifica como a área de influência prioritária dos EUA.
