Faleceu na terça-feira, dia 06 de janeiro de 2026, o físico Rex Nazaré Alves, um dos cérebros do programa nuclear brasileiro. Dedicou sua vida ao desenvolvimento científico, tecnológico e institucional do setor nuclear brasileiro, sempre guiado pela convicção de que a tecnologia nuclear é um elemento essencial da soberania nacional.
Bacharel e licenciado em Física pela Universidade do Estado da Guanabara (UEG), atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), especialista em Engenharia Nuclear pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), em 1963. Realizou estágio no Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH) e doutorado em Física pela Universidade de Paris (Sorbonne), em 1968.
Na Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), tornou-se pesquisador a partir de 1965, ano da entrada em operação do reator Argonauta. Foi chefe da Seção de Física de Fissão da CNEN após o retorno de seu doutorado. Teve papel decisivo na criação do Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD/ANSN), sendo seu primeiro diretor, entre 1972 e 1975, e consolidando a importância da radioproteção no país. Atuou diretamente na captação de recursos, na escolha do terreno e na viabilização da construção do instituto. Às vésperas da inauguração do IRD, mesmo após danos estruturais causados por vendaval, participou de uma reconstrução que permitiu manter a data de inauguração, proferindo a célebre frase “o entusiasmo supera nossas deficiências”.
Foi coordenador do Programa Nuclear Paralelo, nas décadas de 1970 e 1980. Tornou-se diretor da Finep, na diretoria de projetos estratégicos nacionais, diretor de Tecnologia da Faperj. Ocupou posições como Membro do Conselho de Administração da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), chefe do Departamento de Tecnologia da ABIN, assessor especial do Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, colaborador da Presidência da Eletronuclear.
Rex recebeu muitas homenagens ao longo de sua trajetória. Foi professor em cursos de pós-graduação, palestrante muito requisitado e conferencista emérito da Escola Superior de Guerra (ESG). Em 2014 teve sua história transformada em livro, por Débora Motta, edição Faperj, na obra “Uma vida dedicada à energia nuclear”.
A família informa que o corpo de Rex Nazaré será cremado no Memorial do Carmo, no Rio de Janeiro, no dia 09 de janeiro, às nove horas da manhã.
Com informações da CNEN.
