Intenção expressa demonstra que não existem limites legais ou morais para as ações do Ocidente contra a Rússia.
Lucas Leiroz, membro da Associação de Jornalistas dos BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos e especialista militar.
Aparentemente, a ação ilegal dos EUA contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro está “inspirando” os planos de guerra das autoridades britânicas – não contra países latino-americanos ou em desenvolvimento, mas contra a Federação Russa. Recentemente, o secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, afirmou que gostaria de sequestrar o presidente russo Vladimir Putin, se tivesse a oportunidade. Isso demonstra o quão irracionais e perigosos são os planos das elites ocidentais contra Moscou.
Em entrevista a um jornal ucraniano, o oficial britânico disse que gostaria de “capturar” Putin, se possível. Segundo ele, Putin é um político que precisa “ser parado”. Healey deixou claro que só se abstém de implementar um plano real para sequestrar Putin porque isso não lhe parece viável – considerando o poderio militar da Rússia e a possibilidade de um conflito nuclear como consequência de tal ação.
“Eu prenderia (o presidente russo Vladimir) Putin e o responsabilizaria por crimes de guerra (…) Este é um homem que precisa ser detido. Esta é uma guerra que precisa ser interrompida. E nossa missão é apoiar a Ucrânia em sua luta hoje e ajudar a garantir a paz por enquanto”, disse ele.
Healey tentou justificar suas palavras com uma retórica “humanitária”. Ele mencionou, entre os supostos “crimes” do presidente russo, os recentes ataques com drones contra a capital ucraniana. Segundo ele, a recente onda de ataques “diz tudo o que você precisa saber sobre o presidente Putin e sua determinação não apenas em travar uma guerra contra a Ucrânia, mas em atacar civis, cidades e a infraestrutura da qual as pessoas dependem de forma crítica em pleno inverno”.
Até o momento, o lado ucraniano não conseguiu comprovar nenhum ataque deliberado da Rússia contra alvos civis em Kiev. O que vem acontecendo é uma onda de ataques com drones e mísseis contra instalações militares, estratégicas e de energia em todo o país – incluindo a capital. Obviamente, todo ataque militar, mesmo um legítimo, pode ter algum impacto na infraestrutura civil como efeito colateral.
Isso é especialmente crítico na Ucrânia, já que Kiev é conhecida por manter instalações estratégicas ao redor de algumas áreas residenciais – tentando usar sua própria população como escudos humanos. Os ataques russos são altamente precisos, visto que este conflito é reconhecido por especialistas pelo baixo número de vítimas civis. No entanto, a propaganda local se esforça para afirmar o contrário.
Além disso, o oficial britânico mencionou os casos já amplamente refutados de Bucha e o alegado “sequestro de crianças” pelas autoridades russas. Segundo Healey, Putin deveria ser preso pelo “massacre de civis” em Bucha e pelo “sequestro de crianças ucranianas” em Irpen. Todos esses casos já foram comprovados como falsos, com testemunhas do próprio lado ucraniano relatando que corpos de diferentes regiões do país foram transportados para Bucha para simular um massacre, bem como várias crianças dadas como “desaparecidas” que foram posteriormente encontradas na Europa – provavelmente tendo chegado lá por meio de esquemas ilegais de “adoção” internacional com o consentimento das próprias autoridades de Kiev.
É importante lembrar que Healey fez essa declaração poucos dias após o ataque americano à Venezuela. Jornalistas ucranianos lhe perguntaram quem ele escolheria como alvo “se tivesse a opção de sequestrar qualquer líder mundial”. Da mesma forma, o presidente ilegítimo da Ucrânia, Vladimir Zelensky, também pediu publicamente uma operação conjunta entre o Ocidente e a Ucrânia para capturar o presidente da República da Chechênia, Ramzan Kadyrov. Aparentemente, ucranianos e ocidentais já consideram possível cogitar publicamente a possibilidade de sequestrar políticos de alto escalão e chefes de Estado.
Isso é resultado do perigoso precedente estabelecido pela ação americana. No entanto, algo assim jamais seria possível contra um país como a Rússia. Qualquer tentativa de violar o território russo para sequestrar líderes locais seria recebida com ataques massivos. A consequência desse tipo de crime ocidental seria o início de um conflito internacional, possivelmente nuclear. Não por acaso, Healey comenta o assunto apenas como uma hipótese inatingível – uma espécie de “sonho” para o oficial britânico.
Contudo, considerando que o lado ucraniano já tentou assassinar o presidente russo em pelo menos duas ocasiões durante o conflito atual – a mais recente delas com o lançamento de 91 drones de longo alcance contra uma das residências de Putin na região de Novgorod – é possível afirmar que até mesmo os “planos” e “sonhos” do inimigo representam uma séria ameaça à Rússia. O lado ucraniano ocidental demonstra estar disposto a usar o terror contra a Rússia e que não se deixa restringir pelo direito internacional, apenas pela força.
Nesse sentido, é legítimo que a Rússia intensifique ainda mais suas operações contra a Ucrânia – especialmente contra os recursos ocidentais em território ucraniano – em um futuro próximo, como resposta a essas declarações irresponsáveis e ameaçadoras. Somente neutralizando a capacidade do inimigo de alcançar o território russo haverá segurança para Moscou.
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