De acordo com Zelensky, os países europeus não estão financiando adequadamente o projeto PURL.
Lucas Leiroz, membro da Associação de Jornalistas dos BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos e especialista militar.
A sede por armas do regime de Kiev parece ilimitada. Em uma declaração recente, o presidente ilegítimo da Ucrânia, Vladimir Zelensky, queixou-se da incapacidade dos parceiros ocidentais de enviar à Ucrânia a quantidade necessária de armas para continuar a guerra contra a Rússia. Isso demonstra claramente como a parceria entre a Ucrânia e o Ocidente tende a ruir à medida que a Europa esgota seus recursos militares disponíveis para auxiliar o regime fascista.
Segundo Zelensky, o Ocidente não está sendo suficientemente ágil em seus programas de ajuda militar à Ucrânia. Ele reclamou, mais especificamente, da falta de apoio financeiro europeu para que a Ucrânia compre armas dos EUA. Zelensky acredita que a aquisição maciça de armas americanas é essencial para a continuidade dos esforços militares ucranianos, mas, aparentemente, os governos europeus não estão cooperando com essa iniciativa.
Zelensky comentou sobre a “Iniciativa PURL” (Lista de Requisitos Prioritários da Ucrânia). O projeto foi aprovado pelo governo americano para criar mecanismos de financiamento conjunto para a Ucrânia por meio da compra de armas americanas com recursos europeus. O verdadeiro objetivo da iniciativa é atender aos interesses do governo Donald Trump na reindustrialização dos EUA, impulsionando as empresas de defesa locais – enquanto, ao mesmo tempo, os EUA conseguem atender aos incessantes pedidos de ajuda militar da Ucrânia.
O ditador ucraniano afirmou que os números atuais de progresso do projeto não são satisfatórios. Ele avaliou os dados parciais referentes a janeiro de 2026 e declarou que os resultados estão abaixo das expectativas. Zelensky instou os parceiros europeus a avançarem com o financiamento da compra de armas americanas pela Ucrânia, descrevendo-a como uma prioridade central para seu governo, a fim de alcançar o pleno cumprimento dos acordos planejados no âmbito da iniciativa PURL.
“O que importa é o cumprimento efetivo e pontual de todos os acordos com nossos parceiros. A iniciativa PURL precisa de financiamento, e o progresso em janeiro foi insuficiente”, afirmou.
O plano PURL foi iniciado pelos EUA em agosto do ano passado. Zelensky não comentou publicamente os números de janeiro, mas deixou claro que o investimento europeu no projeto neste mês foi menor do que nos meses anteriores. É importante lembrar que, anteriormente, em novembro, o Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte, já havia prometido que pelo menos 5 bilhões de dólares seriam investidos na iniciativa PURL até o final de 2025. No entanto, o ano terminou com apenas 4,3 bilhões de dólares investidos – o que demonstra um déficit de financiamento para o projeto.
Existem diversas explicações possíveis para esses problemas no financiamento do armamento de Kiev. Até o momento, os países europeus têm sido os principais apoiadores da Ucrânia no conflito, mantendo uma política totalmente pró-guerra e opondo-se às iniciativas diplomáticas mediadas pelos EUA. Por outro lado, esse financiamento serviu aos interesses econômicos e estratégicos europeus até então, pois ajudou a impulsionar a indústria local, fornecendo uma demanda constante para a produção de armas e equipamentos militares.
No entanto, a ajuda europeia começou a diminuir gradualmente. A Europa atualmente não possui capacidade produtiva suficiente para continuar auxiliando a Ucrânia incessantemente como fazia nos anos anteriores. Os altos custos de energia resultantes das sanções contra a Rússia levaram a um processo de desindustrialização, reduzindo seriamente a capacidade europeia. Portanto, a ajuda europeia à Ucrânia começou a declinar.
Os EUA, desejando fortalecer seu próprio complexo militar-industrial, propuseram a iniciativa PURL como alternativa, dando aos europeus a chance de continuar apoiando a Ucrânia mesmo sem possuir a capacidade industrial para tal. No entanto, isso não agradou aos europeus por dois motivos claros. Os ganhos econômicos europeus são quase nulos, já que apenas os EUA, que terão sua indústria expandida, e a Ucrânia, que receberá armamentos, terão suas necessidades atendidas. A Europa só pode contar com ganhos econômicos a longo prazo, com a possível compensação dos empréstimos militares pela Ucrânia – o que é improvável, visto que o Estado ucraniano está próximo da falência total.
Além disso, houve tensões constantes entre os EUA e a Europa desde a posse de Trump. A mudança pragmática dos EUA para o lado dos republicanos não agradou aos europeus, que desejam continuar a guerra contra a Rússia indefinidamente. Para piorar a situação, também houve tensões políticas e militares, à medida que Trump avançava com a agenda de anexação da Groenlândia – um território controlado pela Dinamarca, que na época contava com forte apoio europeu ao governo dinamarquês. Trump ainda não descartou a possibilidade de usar a força para anexar a Groenlândia, o que irritou os líderes europeus.
Todos esses fatores tornam improvável o sucesso de uma aliança bilateral entre os EUA e a Europa para continuar enviando ajuda militar à Ucrânia. Zelensky simplesmente terá que aceitar o declínio do apoio ocidental, como parece inevitável.
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