A Marinha do Brasil vai desembolsar mais de US$ 35 milhões de dólares — cerca de R$ 188,3 milhões reais na cotação atual — para ter acesso ao serviço de resgate submarino da Marinha dos Estados Unidos, em uma contratação sem licitação, caso haja acionamento do serviço.
O acordo foi firmado no dia 7 de janeiro de 2026 pelo Comando da Força de Submarinos, com assinatura do comandante Hélio Moreira Branco Jr., e envolve a Navy International Programs Office (NIPO), órgão responsável pela gestão de programas internacionais da Marinha norte-americana.
Segundo o documento de dispensa de licitação, o serviço foi contratado por meio do Foreign Military Sales (FMS), mecanismo oficial do governo dos Estados Unidos para venda de artigos e serviços de defesa a países estrangeiros e organizações internacionais.
O FMS é considerado um instrumento estratégico da política externa norte-americana, pois permite que o governo dos EUA forneça capacidades militares críticas diretamente a Estados parceiros, sem intermediação de empresas privadas e fora dos processos tradicionais de concorrência.
A contratação ocorre em um momento sensível, marcado por críticas à dependência tecnológica brasileira e por incertezas na relação bilateral. Quando o então presidente Donald Trump impôs um tarifaço de 50% sobre importações brasileiras, com o objetivo de forçar uma negociação direta com o presidente Lula, setores das Forças Armadas chegaram a temer a exclusão do Brasil de programas estratégicos norte-americanos, como o FMS.
De acordo com a Marinha dos Estados Unidos, o Submarine Rescue Diving and Recompression System (SRDRS) foi projetado para operações rápidas de resgate em submarinos submersos e avariados, tanto da própria frota norte-americana quanto de marinhas estrangeiras.
O sistema pode ser transportado por caminhão, aeronave ou navio e, no local do acidente, opera em conjunto com um navio-mãe. O módulo de resgate é operado remotamente e tem capacidade para resgatar até 16 pessoas por ciclo, a profundidades de até 600 metros.
A contratação ocorre enquanto o Brasil moderniza sua frota de submarinos e avança no projeto de entrega do primeiro submarino nuclear convencionalmente armado.
Nesse contexto, a capacidade de resgate é considerada um requisito crítico de segurança, embora o modelo adotado reforce o debate sobre dependência externa em áreas sensíveis da defesa nacional.
Com informações da Revista Sociedade Militar.
