Raphael Machado
De um modo geral, sou um cético em relação à democracia liberal, que me parece um jogo de cartas marcadas estruturado para preservar o status quo. Também sempre deixei claro que, de uma perspectiva ideológica, considero que a política eleitoral é apenas um aspecto secundário e derivado da Política enquanto tal.
Não obstante, mesmo na democracia liberal, como em todas as atividades humanas, entra um fator incalculável que permite a erupção de fatores disruptivos. Estes fatores disruptivos são aptos a superar o “maquinismo” da técnica liberal-democrática e trazem consigo a possibilidade de, pelo menos, “mover” o status quo para longe da zona de conforto das elites dominantes.
Simultaneamente, por mais que o fundamental na política, mais do que as eleições, seja “construir o movimento” (no sentido do labor complexo de estruturar uma contraelite disciplinada e competente, dotada da própria cultura, ideologicamente alinhada, etc.), não se pode desperdiçar as oportunidades emergentes, tampouco desprezar a “via eleitoral” como ferramenta útil para “construir o movimento”.
A candidatura do Aldo Rebelo me parece imbuída desses dois fatores: 1) Potencial disruptivo; 2) Possível via de “construção do movimento”.
O potencial disruptivo do Aldo Rebelo é multifacetado. Em primeiro lugar, trata-se do único candidato que oferece uma plataforma que pode ser pensada na fórmula de uma “esquerda do trabalho, direita dos valores”. Ou seja, é uma candidatura imbuída de valores conservadores e tradicionais, mas com um forte viés social em sua perspectiva econômico-laboral. Só isso já o torna mais próximo das posições majoritárias do povo brasileiro do que qualquer outro candidato atual ou dos últimos 30 anos. É o primeiro com uma plataforma desse cariz desde Enéas Carneiro.
Em segundo lugar, há uma série de elementos práticos que colocam o Aldo Rebelo muito acima das típicas candidaturas “exóticas” do período eleitoral. Ele, objetivamente, possui décadas de experiência política no legislativo e no executivo (como ministro ou secretário), tem uma proximidade ímpar com as Forças Armadas (mais até do que o Jair Bolsonaro) – o que é imprescindível para uma candidatura disruptiva – e circula tranquilamente entre os “barões” da velha política e do Brasil Profundo.
Quanto a essa candidatura como via possível para “construir o movimento”, isso envolve também considerações de natureza prática. É necessário pontuar que o Aldo Rebelo está hoje num partido – o Democracia Cristã – que não é como aqueles partidos engessados, cheios de caciques, onde, portanto, não há espaço para dar uma contribuição original. Há espaço e, havendo espaço, existe trabalho a ser feito – o qual, na pior das hipóteses, fornecerá experiência, ampliação da rede de contatos, e assim por diante.
Ademais, o Aldo Rebelo é acessível. Isso é importante porque não se trata, aqui, de encontrar alguém para eu transferir a responsabilidade pelo país através do voto. Mas sim da possibilidade de participar e construir a candidatura e, eventualmente, um governo. Eu jamais votaria em alguém que eu não conhecesse pessoalmente, com quem eu não tivesse conversado e cuja mão eu já não tivesse apertado. Primeiro, porque eu sou um pequeno “caudilho”. Sou responsável perante um grupo de camaradas, então não posso empenhar minha palavra em qualquer lugar a troco de nada. Segundo, porque eu sou um “anarca”. Me recuso a ser “governado” ou mesmo a participar do “jogo”, mas estou disposto a amarrar o meu cavalo onde eu tiver voz. Para qualquer homem orgulhoso e honrado isso é fundamental. Com o Aldo Rebelo, qualquer um de vocês aqui do nosso campo dissidente tem a oportunidade de ser ouvido.
Finalmente, mesmo em caso de derrota, existem fatores de longo prazo que precisam ser levados em consideração. Tanto a janela de oportunidade das eleições presidenciais de 2030 quanto o próprio futuro do “movimento” (inclusive num cenário ainda mais longínquo, pós-Aldo).
Uma candidatura nacionalista apta a disputar as eleições em 2030 num cenário sem Lula e sem Bolsonaro precisa ser construída a partir de agora, não a partir de 2029.
Ademais, a condensação do campo dissidente em um movimento (ou seja, a “construção do movimento”) em grande medida partirá, com as bênçãos do Aldo Rebelo, dos personagens que se destacarem já desde agora, e, com isso, demonstrarem potencial para o longo prazo.
De resto, não entrarei no mérito de “programa” ou “projeto” porque a política é feita de homens e de valores, não de planilhas de Excel. Aquilo que precisa ser feito neste país todos estamos cansados de saber. Não há novidades, milagres ou invencionices aí. Aquilo que sempre faltou foram os homens de fibra e pulso firme. Apenas isso. Nosso problema sempre foi humano, nunca foi um problema de “ideias”. Me parece que Aldo Rebelo é, precisamente, a pessoa que faltava.
É por isso tudo que não somente confirmo e reafirmo minha adesão à candidatura do Aldo Rebelo, mas, de fato, convido todos os confrades aqui a aderirem de corpo e alma. Não se trata de depositar fé no Aldo Rebelo para ele “resolver isso tudo que tá aí”, mas de marchar com ele até Brasília, custe o que custar.
