Lorenzo Carrasco
O presidente Emmanuel Macron não perde uma oportunidade de manifestar o seu complexo de inferioridade em relação a grandes líderes franceses, em especial Charles de Gaulle, ocasiões em que o resultado costuma ser uma enxurrada de charges apresentando-o como uma versão caricata de Napoleão Bonaparte.
A nova rodada da guerra contra o Irã, desfechada pelos EUA e Israel, proporcionou-lhe outra chance de exibir o seu ego “napoleônico”, agora, anunciando uma grande expansão do arsenal nuclear francês, inclusive, estendendo-o aos países vizinhos como uma espécie de guarda-chuva protetor, posicionando a França como a grande protetora de uma Europa ameaçada por adversários por todos os lados. Segundo ele, outros oito países europeus concordaram em participar da nova estratégia de “contenção avançada” – Reino Unido, Alemanha, Polônia, Holanda, Bélgica, Grécia, Suécia e Dinamarca.
Lembrando que o Reino Unido, além de possuir o seu próprio arsenal nuclear de mísseis de submarinos “alugados” dos EUA, abriga bases estadunidenses com armas nucleares estocadas, o mesmo ocorrendo com a Alemanha e a Bélgica.
“Os próximos 50 anos serão uma era de armas nucleares”, disse ele, na base naval de Île Longue, ao anunciar a nova política.
De fato, o arsenal nuclear francês remonta à decisão de de Gaulle de tornar o país uma potência nuclear com uma linha independente das superpotências da época, os EUA e a União Soviética. E o general que fundou a Quinta República pagou caro pela audácia de devolver a França à primeira divisão das potências mundiais, não apenas em termos militares, mas também quanto à sua capacidade industrial. Além de ser alvo de várias tentativas de assassinato, acabou renunciando na esteira das turbulências das grandes manifestações de maio de 1968, uma avant–première das atuais “revoluções coloridas”.
