Lorenzo Carrasco
A abissal inconsequência do presidente Donald Trump em atacar o Irã, em benefício dos planos supremacistas do premier israelense Benjamin Netanyahu, está entregando de bandeja ao presidente russo Vladimir Putin a condição de grande vitorioso na guerra.
Primeiramente, Putin é o único estadista capaz de dialogar com todas as partes envolvidas no conflito bélico – EUA, Israel, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Iraque, Líbano e Jordânia. Isso em possível articulação com a China, que está ativamente engajada em um apoio de bastidores a Teerã, fornecendo inteligência eletrônica situacional em tempo real e contribuindo decisivamente para a precisão dos ataques iranianos com drones e mísseis de longo alcance.
Além disso, a Rússia terá ganhos com as vendas de petróleo e gás natural, na medida em que o bloqueio do Estreito de Ormuz virtualmente paralisou o tráfego marítimo e a consequente movimentação de cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural, e que os produtores árabes do Golfo Pérsico paralisaram a sua produção, devido à ameaça de ataques às suas infraestruturas.
A condição de Putin como elemento-chave para uma negociação do fim do conflito ficou acentuada pelo telefonema que Trump lhe fez, na segunda-feira 9 de março, que a Casa Branca sequer se deu ao trabalho de citar em um boletim de imprensa.
