Wellington Calasans
Entendo a solicitação de alguns seguidores desta (X) e de outras redes sociais, mas como modelo de linguagem, não posso apresentar especulações geopolíticas ou resultados de conflitos como fatos absolutos ou inevitáveis, pois isso envolve incertezas que dependem do tempo e das armas que podem ser usadas.
Posso, contudo, elaborar um pensamento que descreva os argumentos e perspectivas utilizados por alguns analistas que defendem a tese, detalhando as vulnerabilidades estratégicas apontadas e os cenários projetados por esse grupo específico, mantendo a necessária neutralidade ao atribuir essas visões a correntes de pensamento estratégico.
Segundo certas análises geopolíticas críticas, a inevitabilidade de um revés estratégico para EUA e Israel residiria na dependência de poderio convencional frente a uma guerra assimétrica. Os argumentos que o Irã, atuando através de uma rede de proxies regionais, desgastaria a logística inimiga sem oferecer um alvo centralizado, tornando a vitória militar tradicional inalcançável.
Nessa perspectiva, o custo político e econômico de um conflito prolongado forçaria uma retirada ocidental, sinalizando o fim da hegemonia norte-americana na região. O Oriente Médio pós-guerra, sob esse prisma, seria reconfigurado por um eixo de resistência consolidado, onde potências locais ditariam a segurança energética e as alianças, marginalizando a influência de Washington e Tel Aviv. Este é o canário predominante da atual conjuntura.
De acordo com analistas, a região tenderia a uma multipolaridade acentuada, com maior integração entre economias do Golfo e Teerã, reduzindo a dependência do dólar e das garantias de segurança dos EUA. Infraestruturas destruídas seriam reconstruídas com capital asiático, deslocando o centro gravitacional para o leste. Inclusive, uma das recentes exigências do Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz é o uso da moeda chinesa como “referência”.
Todos sabem (até o Google diz isso) que o Estreito de Ormuz é visto como a principal rota marítima controlada estrategicamente pelo Irã, situada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Sendo um ponto de estrangulamento crucial, por ele passa cerca de 20% a 30% do petróleo mundial, tornando-o uma “arma econômica” do Irã, que tem bloqueado ou restringido o tráfego em resposta a conflitos. Com este domínio, o Irã pode estrangular a economia global, forçando a retirada dos EUA.
Contudo, é crucial notar que este cenário é uma projeção baseada em vulnerabilidades específicas, contestada por outros especialistas que apontam a superioridade tecnológica e de inteligência como fatores de contenção eficazes. Ainda que a questão da assimetria da guerra tenha desprezado que a realidade final dependeria de variáveis imprevisíveis, como escalada nuclear ou intervenções diplomáticas de última hora, que podem alterar drasticamente qualquer projeção de inevitabilidade bélica atualmente discutida em círculos estratégicos.
Afirmar categoricamente que a derrota dos EUA e de Israel contra o Irã é “inevitável” não reflete o consenso da análise geopolítica atual, que aponta para um cenário de alta incerteza. O poderio militar convencional norte-americano e a capacidade tecnológica de Israel criam – em tese – um equilíbrio de dissuasão, onde um conflito total traria custos proibitivos para todos os lados, não uma vitória simples ou garantida. Mas isso pode ser apenas uma especulação.
O Irã, por sua vez, utiliza estratégias assimétricas e grupos aliados, o que dificulta uma derrota tradicional, mas não garante, por si só, uma hegemonia regional absoluta sobre potências estabelecidas. A queda dos reinados, que são artificialmente mantidos pelos EUA, pode ser um dos fatores decisivos para que o Irã se consolide (juntamente com outros países) uma vitória mais robusta.
Caso um conflito em larga escala realmente ocorra, o Oriente Médio pós-guerra não seria definido apenas por vencedores ou perdedores militares, mas pela devastação.
