Wellington Calasans
A guerra não declarada dos EUA e Israel contra o Irã opera nas sombras do direito internacional, violando soberanias nacionais sob o pretexto de uma segurança coletiva seletiva e imperialista.
Desde 2010, o vírus Stuxnet, atribuído a Tel Aviv e Washington, sabotou centrífugas nucleares. Foi um ato de guerra cibernética que violou soberania sob o pretexto de “prevenção” armada.
Entre 2020 e 2022, cientistas nucleares iranianos foram assassinados com métodos de espionagem. Mohsen Fakhrizadeh foi executado por controle remoto, em operação que despreza os tribunais.
Sabotagens em Natanz e outros sítios nucleares revelam guerra híbrida de baixa intensidade. Em abril de 2024, por exemplo, Israel bombardeou o consulado iraniano em Damasco, matando comandantes. O Irã respondeu com mais de 300 drones e mísseis, a maioria interceptada por coalizão.
A narrativa de “legítima defesa” israelense serve para justificar ataques em território sírio. Em outubro de 2024, Israel realizou seus primeiros ataques abertos em solo iraniano direto. Alvos incluíram defesas aéreas e infraestrutura de mísseis, escalando o conflito regional.
Os EUA forneceram inteligência, reabastecimento em voo e cobertura diplomática total. A chamada “guerra preventiva” marca a escalada mais grave do confronto no Oriente Médio. Israel, com apoio logístico estadunidense, mirou instalações nucleares em Natanz e Fordow.
Comandantes como Hossein Salami foram alvos de operações de precisão controversas e ilegais. Bombas “bunker buster” lançadas por B-2 estadunidenses ameaçam complexos subterrâneos.
O curioso de tudo isso é que a AIEA nunca confirmou programa nuclear bélico iraniano estruturado, mas a narrativa prevaleceu. Ataques surpresa conjuntos visam a liderança política, violando princípios diplomáticos.
O Irã retaliou com mísseis contra bases dos EUA no Golfo e alvos militares em Israel. Infraestrutura civil em países vizinhos foi atingida, expondo a vulnerabilidade de inocentes.
Fontes iranianas reportam milhares de mortos; fontes ocidentais minimizam as baixas civis. Essa assimetria narrativa é típica de conflitos onde o poder midiático tenta definir a verdade.
O fechamento temporário do Estreito de Ormuz pelo Irã afetou o fluxo global de petróleo. Medida calculada que revela como ações de potências externas geram instabilidade sistêmica em todo o planeta.
Sanções econômicas prolongadas já constituem violência estrutural contra o povo iraniano. Mas isso não abala a determinação de um povo que sabe a importância da vitória nesta disputa.
Por que “legítima defesa” é invocada seletivamente para justificar ataques de EUA e Israel? Por que respostas iranianas são automaticamente classificadas como “agressão” ou “terrorismo”? A narrativa dominante omite que a soberania iraniana é tratada como negociável por potências.
Como alertava Fanon: a descolonização exige desmontar estruturas que legitimam a violência. Isso define muito bem a resistência iraniana e revela que o mundo mudou.
