O ministro das Relações Exteriores de Omã afirmou que os Estados Unidos “perderam o controle de sua própria política externa” e acusou Israel de persuadir o governo de Donald Trump a entrar em guerra com o Irã — um conflito que ele descreveu como uma “catástrofe” e um “grave erro de cálculo”.
Escrevendo na revista The Economist, Badr Albusaidi, ministro omanense que mediou as mais recentes negociações nucleares entre o Irã e os Estados Unidos, apresentou uma avaliação incomumente contundente dos acontecimentos que antecederam o bombardeio do Irã por EUA e Israel e a guerra que isso desencadeou no Oriente Médio.
“Foi um choque, mas não uma surpresa, quando em 28 de fevereiro — apenas algumas horas após as negociações mais recentes e substanciais — Israel e os Estados Unidos novamente lançaram um ataque militar ilegal contra a paz que havia, ainda que brevemente, se mostrado realmente possível”, escreveu Albusaidi.
Entre todos os países do Golfo, Omã foi o mais vocal e publicamente ativo na tentativa de impedir um ataque dos EUA ao Irã, embora outros Estados — incluindo Emirados Árabes Unidos e Catar — também tenham trabalhado intensamente para encontrar soluções diplomáticas e alertado Trump de que uma guerra seria devastadora para a região.
Segundo Albusaidi, Irã e Estados Unidos estavam à “beira de um acordo real” nas negociações nucleares realizadas em Genebra em fevereiro, descrevendo as conversas como “substanciais”.
Albusaidi atribuiu à “liderança de Israel” a responsabilidade por persuadir Trump a entrar na guerra com base na falsa premissa de que o regime iraniano ofereceria uma “rendição incondicional” após o assassinato de seu líder supremo, Ali Khamenei.
“O maior erro de cálculo do governo americano, naturalmente, foi permitir-se ser arrastado para essa guerra desde o início”, escreveu ele. “Esta não é a guerra dos Estados Unidos, e não há cenário provável em que tanto Israel quanto os EUA consigam obter o que desejam com ela”.
Albusaidi descreveu a guerra — e seu impacto mais amplo na região do Golfo, que tem suportado o peso das retaliações iranianas — como uma “catástrofe”, com nenhum dos lados demonstrando disposição para negociar.
Ele pediu o fim do conflito e o retorno às negociações bilaterais, argumentando: “Para que Israel alcance seu objetivo declarado, será necessária uma longa campanha militar à qual os Estados Unidos teriam de comprometer tropas em solo, abrindo uma nova frente nas guerras intermináveis que o presidente Donald Trump anteriormente prometeu encerrar”.
Com informações do jornal britânico “The Guardian”.
