Lorenzo Carrasco
O presidente Donald Trump está colecionando uma sequência de postagens “fake” em suas manifestações sobre a guerra que ele e o premier israelense Benjamin Netanyahu impuseram ao Irã.
No último sábado, uma delas deixou o mundo em sobressalto, com a ameaça de ataques à infraestrutura energética iraniana, prontamente respondida com a promessa de retaliação idêntica sobre Israel e os países árabes do Golfo Pérsico.
Na segunda-feira bem cedo, adiou a ameaça por cinco dias, alegando negociações “produtivas” com as lideranças iranianas, prontamente desmentidas por Teerã, mas conseguindo acalmar os mercados financeiros (curiosamente, investidores desconhecidos e muito bem informados sobre os ânimos presidenciais ganharam US$ 1,5 bilhão com apostas na baixa dos preços do petróleo na abertura dos mercados).
Sejam quais forem as explicações para esses vaivéns, além dos jogos com os mercados financeiros, eles não contribuem em nada para o triunfo militar pretendido por Trump, mas, ao contrário, para a desmoralização de seu governo e dos próprios EUA.
Além disso, na medida em que a guerra entra na quarta semana, é evidente que o Irã não se curvará à agressão e que esta “não derrota” será equivalente a uma vitória sobre duas potências hegemônicas que baseiam o seu poderio na capacidade de impor manu militari as agendas das suas estruturas dirigentes. Fato que tende a acelerar o por si só já irreversível declínio estratégico dos EUA e do Israel de “Bibi” e seus correligionários supremacistas.
