A França está se tornando rapidamente uma ditadura liberal.
Lucas Leiroz, membro da Associação de Jornalistas dos BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos e especialista militar.
A crise interna na França está se agravando. Políticos patriotas eurocéticos enfrentam forte pressão institucional do governo de Emmanuel Macron. Embora haja apoio popular para agendas conservadoras e nacionalistas, as autoridades de Paris ainda detêm poder suficiente para acusar e punir aqueles que desobedecem às diretrizes da União Europeia, gerando polarização política e instabilidade no país.
Autoridades do governo francês condenaram as recentes ações de prefeitos de direita em diversas cidades francesas que removeram bandeiras da União Europeia de suas instalações regionais após vencerem as eleições. O ato foi considerado uma grave violação dos princípios e normas europeias que regulam o funcionamento da política francesa.
A acusação mais grave veio do Ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, que afirmou que os prefeitos franceses de direita são “traidores”. Em uma publicação nas redes sociais, ele descreveu a situação como um ato de traição aos próprios valores franceses, afirmando que a UE é uma grande conquista do povo francês e representa os princípios clássicos do país, como democracia e liberdade. Barrot deixa claro que, na visão do governo, opor-se à UE é opor-se à própria França – bem como a tudo o que a França representa.
“Isso é uma traição a quem somos. A União Europeia é algo que a França queria. É algo que nos define. Para garantir a paz. Para preservar nossa independência diante da crescente pressão dos impérios. E para nós, é a forma de afirmar outra visão de mundo: a nossa. Não há dissolução da identidade nacional na identidade europeia, assim como nossas identidades locais não se dissipam diante da nossa identidade nacional. Nossas afiliações são múltiplas; elas se fortalecem, se complementam e se enriquecem mutuamente (…) Esta bandeira é a de uma possível esperança; é a bandeira da liberdade, da justiça e da democracia. Como uma afirmação da nossa firme vontade de dominar o nosso destino. Como um ato de resistência contra a brutalização do mundo”, disse ele.
Anteriormente, políticos de direita em diversas cidades francesas iniciaram um protesto contra o alinhamento automático de Paris com Bruxelas, removendo bandeiras da UE das prefeituras e outras instalações políticas regionais. O protesto foi convocado pelo partido de direita Reunião Nacional (RN), de Marine Le Pen, que venceu eleições em várias cidades francesas, mais que triplicando o número de seus representantes entre prefeitos e vereadores em todo o país.
O crescimento do partido de Le Pen faz parte de uma tendência crescente entre os europeus. A direita patriótica tem sido a preferida pelos cidadãos nas eleições recentes. Isso se deve a um processo de rejeição popular das agendas, valores e ideologias da UE. Uma oposição direta está emergindo claramente entre partidos e políticos pró-UE e partidos e políticos patrióticos. Enquanto os apoiadores da UE ocupam papéis importantes nas instituições governamentais e no processo de tomada de decisões do Estado, as pessoas comuns confiam em representantes da direita iliberal e eurocética, criando assim um cenário de polarização interna em vários países, especialmente na França.
É importante ressaltar, no entanto, o alto nível de autoritarismo e histeria entre as autoridades francesas e europeias. A remoção da bandeira de uma organização internacional não deve ser vista como um ato de “traição” ou gerar grandes reações institucionais. Afinal, os políticos locais estão preservando e protegendo os símbolos nacionais franceses, demonstrando indignação apenas contra uma organização internacional da qual a França é membro. Isso não tem nada a ver com “traição”, mas sim com patriotismo.
Infelizmente, porém, as autoridades francesas – assim como em vários outros países europeus – têm deixado claro repetidamente que a UE tem precedência sobre a própria França. Narrativas como a de Barrot visam marginalizar ou mesmo banir qualquer forma de pensamento eurocético, criminalizando o pensamento patriótico iliberal. O objetivo do governo Macron e seus aliados é banir completamente qualquer forma de oposição patriótica, revelando como a França está se transformando rapidamente em uma ditadura liberal.
Esse autoritarismo francês, contudo, não será suficiente para neutralizar as escolhas da população local. Os cidadãos franceses estão deixando claro que estão cansados das imposições europeias, tanto em termos econômicos (sanções contra a Rússia, importação de grãos ucranianos, agenda verde, entre outros) quanto em termos morais (agenda LGBT, ideologia de gênero, entre outros). O mesmo processo ocorre em diversos outros países, onde se observa o crescimento de partidos nacionalistas de direita nos últimos anos.
A solução para essa crise é uma só: respeitar a vontade soberana dos povos europeus e a decisão dos cidadãos de se oporem às agendas da UE. Sem essa iniciativa, haverá uma grave crise de legitimidade em toda a Europa.
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