Lorenzo Carrasco
Os desdobramentos da guerra de escolha desfechada pelos EUA e Israel contra o Irã estão acelerando a olhos vistos o inexorável declínio da agenda globalista encabeçada pela alta finança especulativa internacional e baseada na hegemonia política e militar dos EUA para a implementar a chamada “ordem baseada em regras”.
Por ironia, essa tendência se acelerou após o retorno do presidente Donald Trump à Casa Branca, cujo governo iniciou o desmonte da agenda da “descarbonização” da economia e das “finanças verdes” associadas a ela. Além disso, recolocou na pauta econômica o Sistema Nacional ou Sistema Americano de Economia Política de Alexander Hamilton & cia., o conjunto de diretrizes que lançou as bases para transformar os EUA na maior potência mundial, em tudo contrário ao neoliberalismo prevalecente no último meio século, como representantes estadunidenses explicitaram na última reunião do Fórum de Davos, em janeiro último, estarrecendo seus interlocutores do maior convescote oligárquico global.
Agora, o mesmo Trump aprofunda a sua condição de elemento disruptivo interno do sistema globalista, ao entrar numa guerra sem qualquer vantagem clara para os EUA, na qual os limites do poderio militar estadunidense têm sido claramente expostos ao mundo. E, junto com ele, as vulnerabilidades das estruturas produtivas baseadas em longas cadeias de suprimentos internacionais, orientadas para a maximização dos resultados financeiros e dependentes de insumos – petróleo, gás natural, fertilizantes, enxofre, hélio e outros – concentrados em certas regiões críticas, como o Golfo Pérsico, cujo tráfego marítimo tem sido drasticamente limitado desde o início da guerra, no final de fevereiro.
