O governo federal fechou a compra de 36 caças supersônicos F-39 Gripen, sendo 15 deles produzidos em solo nacional, em uma parceria que envolve transferência de tecnologia e fortalecimento da indústria aeroespacial brasileira, tornando-se o primeiro país da íbero-americano a dominar o processo de produção de caças supersônicos.
O F-39 é equipado com sistemas de guerra eletrônica de última geração, radar de varredura eletrônica ativa e capacidade de integrar diferentes armas e sensores. Sua versatilidade permite operar tanto em missões de superioridade aérea quanto em ataques de precisão contra alvos terrestres e marítimos.
A fabricação e compra dos caças foi possível pelo Programa FX-2 da Força Aérea Brasileira, lançado em 2006 com o objetivo de reequipar a FAB com novos caças supersônicos, Garantir a defesa do espaço aéreo brasileiro e elevar o nível tecnológico da indústria nacional de defesa. O FX-2 permitiu a assinatura do acordo com a Saab sueca em 2013, em acordo que envolveu transferência de tecnologia e fabricação de componentes no Brasil.
O programa F-X2 permitiu a ida de cerca de 350 engenheiros brasileiros à Suécia para capacitação avançada, impulsionando a criação de aproximadamente 12 mil empregos, dois mil diretos e dez mil indiretos. Com a compra dos F-39, a FAB busca modernizar a frota nacional, substituindo os antigos Mirage e F-5.
A compra dos F-39 foi financiada pela agência estatal sueca Swedish Export Credit Corporation (SEK), em um montante de US$ 5 bilhões, em um prazo de financiamento de 25 anos.
Contudo, apesar dos pontos positivos do acordo, algumas críticas são feitas ao programa. Primeiramente, que o número de caças é insuficiente e não garante a cobertura em todos os possíveis teatros de guerra (Amazônia, litoral, fronteiras etc.). Além disso, o F-39 não é considerado “topo de linha” como outras aeronaves como o Rafale, F-18 Super Hornet e o Sukhoi russo.
Contudo, como o governo brasileiro priorizou o fator transferência de tecnologia, o que não era oferecido pelo Rafale francês e pelos EUA, a Saab constituiu-se como melhor opção. Fatores políticos e geopolíticos, incluindo a pressão estadunidense, prejudicaram o acordo com a Rússia na época.
Além do mais, quanto à transferência de tecnologia, há críticas também ao escopo desta, já que os chamados componentes críticos, como motor, eletrônica e armamentos continuam estrangeiros, somado ao fato que, em caso de conflito externo, permanece a dependência de fornecedores externos.
Esse argumento também se coaduna com a crítica de que a FAB estaria “colocando todos os ovos em uma cesta só”, ou seja, a concentração excessiva em uma única plataforma e em cadeias críticas de fornecimento externas.
Nesse sentido, é preciso que a FAB reconheça as limitações do programa e que desenvolva estratégias de contorna-las, considerando os interesses estratégicos do país.
Imagem: Ministério da Defesa.
