Lorenzo Carrasco
A visita de Estado do rei Charles III do Reino Unido a Washington proporcionou ao monarca e ao presidente Donald Trump uma troca de rapapés sobre a “extraordinária relação especial” entre os dois países, como foi descrita por ambos, retraçando-a à luta contra o nazifascismo na II Guerra Mundial.
De fato, após o conflito, a aliança anglo-americana constituiu o núcleo da estrutura de poder hegemônico que deu as cartas durante a Guerra Fria e se empenhou ao extremo para preservar tal “privilégio” após a implosão da União Soviética.
Todavia, nada soa mais anacrônico e fútil do que o esforço do eixo Washington-Nova York-Londres para sustentar aquela estrutura “excepcionalista”, que vem sendo despedaçada pelo embate com a realidade de um mundo multipolar emergente, ao mesmo tempo em que é solapada por dentro pelos desvarios disruptivos do governo Trump, em sua guerra de escolha contra o Irã.
Confronto cujo principal resultado até agora é o de situar o país persa no rol das grandes potências mundiais, enquanto o Estreito de Ormuz cumpre metaforicamente o papel desempenhado pelo iceberg que mandou o “Titanic” para o fundo do Atlântico.
Imagem: Casa Branca
