Em uma notável autocrítica, um dos mais influentes comentaristas neoconservadores dos Estados Unidos, Robert Kagan, acredita que os EUA sofreram uma “derrota total” em sua guerra em curso contra o Irã, algo que teria abalado permanentemente sua posição global.
Kagan, cofundador do “Projeto para o Novo Século Americano” (“Project for the New American Century“) e pesquisador sênior da Brookings Institution, foi um defensor vocal da guerra do Iraque e, durante décadas, um dos principais defensores das intervenções militares norte-americanas no Oeste Asiático.
No entanto, em um artigo recente publicado pela revista The Atlantic, ele apresentou uma avaliação sombria da atual guerra de agressão contra a República Islâmica do Irã, iniciada em 28 de fevereiro.
“Os Estados Unidos sofreram uma derrota total”, escreveu Kagan, descrevendo a perda como algo sem precedentes na história americana e que “não pode ser reparado nem ignorado”.
Embora reconheça que fracassos militares anteriores dos EUA tiveram custos elevados, Kagan argumenta que esta guerra é qualitativamente diferente.
Segundo ele, diferentemente do Vietnã ou do Afeganistão, a derrota contra o Irã não representa apenas um revés regional, mas um golpe devastador contra a credibilidade global dos Estados Unidos e contra a própria ideia de supremacia americana.
Kagan afirma que Washington não conseguiu atingir seus principais objetivos estratégicos. Apesar dos intensos ataques militares, o Irã permaneceu operacionalmente funcional, preservou sua estrutura estatal e continuou exercendo influência regional.
Ele também argumenta que os EUA falharam em restaurar a dissuasão militar e política que sustentava sua hegemonia no Golfo Pérsico há décadas.
Outro ponto central destacado por Kagan é o fechamento do Estreito de Ormuz e o impacto disso sobre a economia mundial e sobre a percepção internacional do poder americano.
Segundo ele, o fato de Washington não conseguir garantir plenamente a segurança das rotas marítimas demonstra aos aliados e rivais que os EUA já não possuem a capacidade incontestável de controlar os principais corredores estratégicos globais.
Kagan também afirma que a guerra acelerou a transição para uma ordem internacional “pós-americana”, na qual outras potências passam a questionar abertamente a liderança dos EUA.
Ele argumenta que aliados tradicionais dos americanos passaram a duvidar da confiabilidade estratégica de Washington, enquanto adversários enxergam maior espaço para desafiar a influência norte-americana.
O analista sustenta ainda que o Irã não teria incentivos para retornar ao status anterior ao conflito, especialmente após sobreviver aos ataques e demonstrar capacidade de resistência.
Segundo Kagan, a credibilidade do presidente Donald Trump também foi profundamente afetada, principalmente após declarações consideradas contraditórias ao longo da guerra.
Para ele, não existe mais um caminho plausível para uma “vitória americana” no conflito.
Com informações da Press TV.
Imagem: CNN
