Lorenzo Carrasco
A Rússia chegou ao limite da tolerância com a interferência direta do Ocidente na guerra com a Ucrânia e parece disposta a elevar a escalada bélica a um novo e potencialmente perigosíssimo nível, alvejando objetivos militares e civis das potências europeias mais engajadas, como o Reino Unido, Alemanha, França e Polônia. Em último caso, o uso de armas nucleares táticas não estaria descartado.
O recado em tom de ultimato foi transmitido por Sergei Karaganov, diretor da Faculdade de Economia Mundial e Assuntos Internacionais da Universidade Estatal de Moscou, presidente honorário do Presidium do Conselho de Política Externa e de Defesa e alto conselheiro das lideranças de Moscou, em entrevistas ao cientista político norueguês Glenn Diesen, em seu canal no Youtube, e à jornalista Yuliya Novitskaya, no sítio New Eastern Outlook. Falando a esta última, ele foi enfático:
“(…) Se os europeus continuarem a guerrear contra nós (e nós estamos guerreando contra a Europa, e a Europa está guerreando contra nós, embora evitemos dizer isso timidamente), então, precisaremos partir para ações concretas – e não em relação à Ucrânia. Por muitos anos, a Ucrânia foi transformada em uma adaga apontada para o peito da Rússia. Não queríamos admitir isso. Fomos tolos e fracos. Agora, esse povo infeliz, com lavagem cerebral e parcialmente fraternal, está na situação em que se encontra. Mas a raiz do mal está no Ocidente. Portanto, precisaremos atacar o Ocidente.
“(…) O cenário mais simples é começar atacando com mísseis convencionais, armas convencionais, munições convencionais contra alvos simbólicos, contra centros logísticos e contra bases militares, ou seja, ataques que possam fazer o público refletir. Se eles não pararem, a próxima onda de ataques virá. Caso eles respondam e não cessem, então haverá um uso limitado, porém significativo, de armas nucleares contra alvos militares e civis e, é claro, principalmente contra os locais onde essas elites se reúnem”.
É de muito bom alvitre que as elites europeias citadas por ele prestem a devida atenção ao recado.
