Lorenzo Carrasco
Nas últimas semanas, o cientista político russo Sergei Karaganov, que tem vínculos estreitos com as lideranças de Moscou, tem alertado que a paciência estratégica de seu país com as potências europeias da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e seu apoio irrestrito à Ucrânia está mais que esgotada. Uma das possibilidades de retaliação levantadas por ele seriam ataques pontuais a alvos europeus engajados no fornecimento de armamentos, logística e apoio de inteligência às forças de Kiev, se preciso, com armas nucleares táticas.
Na terça-feira 19, em meio a um aumento do número de ataques ucranianos com drones ao país, a Rússia iniciou um grande exercício militar de três dias, para “preparação e uso de forças nucleares em caso de ameaça de agressão”.
O Ministério da Defesa russo informou que os exercícios envolvem 64 mil militares, 200 lançadores de mísseis, inclusive nucleares, 140 aviões, 73 navios e 13 submarinos, e inclui o treinamento de lançamento de armas nucleares táticas.
Segundo a agência Reuters, o vice-chanceler Sergei Ryabkov afirmou que os riscos de um embate direto entre a Rússia e a OTAN estão aumentando, em paralelo com a crescente narrativa nas capitais europeias sobre a “iminente ameaça de uma guerra de alta intensidade com a Rússia”.
Talvez, em sua insânia, os europeus estejam incorrendo em um caso típico de profecia autocumprida.
