As eleições presidenciais na Colômbia indicaram a vitória do candidato de direita Abelardo de la Espriella sobre o governista de esquerda Ivan Cepeda, para suceder o atual presidente Gustavo Petro. Espriella teria vencido a eleição por uma pequena margem de votos, cerca de 250 mil votos em um total de cerca de 25 milhões de votos válidos. Ou seja, por menos de 1% dos votos.
Apesar de Cepeda ter admitido a derrota, Petro usou as redes sociais para acusar interferência externa e fraude nas eleições, mais especificamente a empresa de software responsável pela apuração, que, segundo ele, teria alterado endereços de IP dos servidores do registro nacional. Para o presidente, a única entidade capaz de invadir o software usado na apuração dos votos seria o Estado de Israel.

Em maio de 2024, o governo colombiano cortou relações diplomáticas Israel, depois de meses de críticas de Petro às campanhas militares em Gaza. Em discurso na Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2025, declarou que a diplomacia para a Palestina falhou e que seria necessário a formação de um poderoso exército internacional contra o genocídio em Gaza, para libertar a região do jugo israelense. Também pediu aos soldados dos EUA para desobedecer às ordens do presidente Trump em auxílio de Israel, o que acabou no cancelamento de seu visto diplomático.
Por sua vez, Espriella é um advogado e empresário alinhado com a nova onda de direita que vem conquistando o poder na América Espanhola nos últimos anos. Além da nacionalidade colombiana, sendo filho de juiz de Córdoba, também tem cidadania dos EUA, obtida após viver mais de dez anos em Miami. Declara-se admirador de Nayib Bukele e de Benjamin Netanyahu, prometendo restaurar não só relações diplomáticas com Israel, mas também abrir a embaixada em Jerusalém. Ao final de 2025, teria se encontrado com o ministro das Relações Exteriores israelenses, Gideon Saar, e exprimido a intenção de fortalecer laços de cooperação e amizade entre Colômbia e Israel.
A declaração de Petro ocorre em um contexto não só de animosidade contra Israel, como também do surgimento de denúncia de uma série de ações coordenadas entre o lobby sionista nos EUA e Israel para influir na política na América Ibérica. Essas denúncias estariam reunidas no chamado Hondurasgate, que define um esquema de desinformação montado em Honduras para financiar guerras de narrativas nas redes sociais para atacar os governos de Gustavo Petro e de Cláudia Shienbaum no México, associando-os ao narcotráfico e ao crescimento da violência urbana. Segundo o dossiê, contido no endereço eletrônico hondurasgate.ch e divulgado pelo sítio Canal Red, o esquema teria apoio financeiro do governo argentino de Javier Milei e das empresas de IA israelenses.
Por certo, o que podemos falar sobre a quadro político dos países da América Espanhola, também considerando a situação do Peru, com uma eleição acirradíssima e ainda indefinida, é que a polarização política veio para ficar.
